quarta-feira, 11 de abril de 2012

Rapa Nui


A viagem é longa. Depois de voar de SP para Santiago  num vôo de 3hs e meia, fiz uma conexão e mais 5 hs de vôo sobre o Oceano Pacífico. É a ilha habitada mais remota do planeta e Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Não há nada  a menos de 3.500 kms de oceano dali. Mais 5 horas e chega-se ao Tahiti.
 A chegada ao aeroporto da Ilha de Páscoa te lembra isso pois você é recebido com colares de flores naturais bem coloridas como em toda a Polinésia e os nativos parecem saídos dos quadros de Gauguin.
No caminho para o hotel me surpreendi com o verde. Por ser uma ilha vulcânica, esperava menos verde.
O local onde a maioria dos habitantes vive é a vila de Hanga Roa. São cerca de 4.000 habitantes. Clima ameno e bastante vento.
As grandes atrações da ilha de Rapa Nui, nome nativo da Ilha de Páscoa, são os  Moais, gigantescas estátuas de pedra vulcânica, espalhadas por toda a sua extensão e os vulcões.
É um lugar de muitos mistérios, muitas perguntas sem respostas, hieróglifos não decifrados que geram suposições e teorias de toda espécie.
Realmente impressiona chegar bem próximo aos gigantes de pedra, de costas para o mar, ou seja, de frente para o interior da ilha, onde ficavam as aldeias. Muitas perguntas surgem imediatamente. Qual o real significado? Os nativos dizem que eles foram esculpidos em homenagem aos líderes mortos.
Como foram levados a uma distância de até 20 km da pedreira original onde foram esculpidos? Qual seriam os significados daqueles símbolos que alguns trazem incrustrados em seus corpos? Muitas são as respostas, mas todas são suposições.
Fomos conhecer o Rano Raraku, vulcão que pode ser considerado uma espécie de fábrica de moais. Andando em volta do vulcão pode-se ver muitas estátuas prontas e muitas em vários estágios de construção, sendo a maior delas ainda presa à pedra. Realmente intrigante !!
São muitos os programas para se fazer na ilha. Entre caminhadas curtas e mais longas, explorações de bike, explorações no mar, como pesca artesanal , snorkelling e cavernas.
 Para mim,  vale a viagem  subir, numa caminhada de 3 hs e um desnível de 500 ms ,até a cratera do Hano Kao. É deslumbrante !! Ficar um tempo ali curtindo o visual da cratera que tem 1,6 km de diâmetro, toda coberta de musgo e uma exuberante vegetação e um enorme lago coberto parcialmente de totora fazendo desenhos que lembram um mapa mundi gigante.. Emoldurando tudo isso, um mar azul violento batendo contra as rochas negras . Dá para andar em volta da cratera e vê-la por vários ângulos, cada uma mais espetacular que o outro.
Depois dessa emoção toda, recomendo descansar na praia de Anakena, uma das duas únicas praias de areia branca e mar tranquilo da ilha. Cercada de coqueiros e moais, impressionam pela beleza e mistério.
Próximo a Rano Raraku, a "fábrica de moais"






Praia de Anakena

A caminho do vulcão Hano Kao

Apreciando a cratera do Hano Kao

Cratera do Hano Kao tendo ao fundo o mar



Caminhando em volta da cratera do vulcão Hano Kao para apreciar todos os ângulos.

Vista da vila de Hanga Roa



sábado, 1 de outubro de 2011

Sirmione - Monte Baldo




A estrada que vai de Bolzano a Sirmione já vai te preparando o espírito para o que virá.
De um lado da rodovia se vê montanhas muito verdes, do outro montanhas de pedras muito altas. No alto dos penhascos, aparentemente inacessíveis, castelos e mosteiros.
Depois, a paisagem muda e de um lado vemos extensas plantações de maçãs e do outro vinhedos a perder de vista.
Chegamos a Sirmione depois de 2 hs de viagem.
Localizada numa península no Lago de Garda, o maior da Itália, e em volta de um castelo do século XIII  com direito a cisnes nadando calmamente, Sirmione é encantadora . Ruas de casas coloridas e muitas flores, restaurantes maravilhosos, alguns com vista privilegiada para o Lago.
É só ir andando pelas ruelas e se deixar surpreender a cada esquina.
Saindo um pouco do centrinho da cidade encontram-se vilas milionárias com jardins preciosos e o Parque Maria Calas, ao lado da mansão onde ela viveu por muito tempo.
Mas a melhor vista do Lago de Garda se tem do alto do Monte Baldo . Nós fomos de carro até Malcesine, uma das lindas cidadezinhas às margens do lago,  de onde se tem acesso ao teleférico para o alto do Monte Baldo. São duas etapas de subida por um moderno teleférico que gira enquanto sobe os quase 2000 metros de altura e você tem uma vista de 360 graus durante o percurso.
A vista é espetacular !!!
Estando lá no alto, dá para fazer umas trilhas com a vista do lago e de toda a região. É tão alto que chega a dar vertigem.
Essa é uma daquelas circunstâncias que me faz ficar consciente da minha deficiência com a linguagem.
Parada ali no alto, absorvendo cada detalhe da paisagem, esperando que a névoa que me impedia de ver tudo com maior clareza se dissipasse, me senti em paz. Sendo eu uma pessoa ansiosa por natureza, aprecio cada vez mais esses breves momentos em que consigo me sentir receptiva  ao mundo à minha volta, quando pensamentos positivos sobre o passado e o futuro ocupam espaço em minha mente e a ansiedade é aplacada.
Passados esses momentos de deslumbre  e introspecção, caminhamos pelas trilhas e almoçamos num dos restaurantes simples  que existem lá no alto.
Pegamos o teleférico de volta e fomos conhecer Malcesine.
Após um gellato delicioso na praça em frente ao cais, pegamos um confortável barco para Sirmione. O percurso todo é bem agradável, a paisagem é linda e tem várias paradas em pequenas cidades às margens do lago.
Mesmo estando fora de temporada, o movimento de turistas do mundo todo é intenso.
Ao cair da tarde, jantando  e desfrutando um vinho italiano fantástico no restaurante Signore com vista para o lago, enquanto observávamos a noite chegar, falamos sobre as expectativas que colocamos em nossas viagens e a realidade. Chegamos a conclusão que, mesmo com algumas chatices como o trânsito pesado que pegamos  indo para Malcesine, ou a fila enorme para embarcar no teleférico para o Monte Baldo, os momentos que tivemos em silêncio, observando como se fôssemos pássaros do alto da montanha aquela paisagem deslumbrante do Lago de Garda , que essa imagem será a que guardaremos em nossas mentes e corações como mais um momento feliz na Itália que tanto amamos.
No alto do Monte Baldo
Vista do Lago de Garda do alto do Monte Baldo


Malcesine
Sirmione

Sirmione


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ruskin ou Desenhar para Ver



Quando estamos num lugar que nos toca pela beleza ou pela estranheza queremos gravar essa imagem de alguma forma. A fotografia é a opção mais usual por qualquer viajante, mas segundo Ruskin existem outras.
John Ruskin, escritor, poeta, crítico de arte e desenhista inglês do século XIX dizia que o modo mais eficaz de se apropriar da beleza de algum lugar é através da tentativa de descrever o que você está vendo, seja através da escrita, seja através do desenho, sem levar em conta se você tem ou não algum talento para tanto.
Ele era professor de desenho e dizia a seus alunos que o objetivo não era torna-los artistas, mas oferecer uma ferramenta para ver melhor. Segundo ele, para desenhar é necessário concentração, observação dos detalhes, compreensão das partes que compõe o todo. O resultado não precisa ser nada que possa ser exposto numa galeria, pois nesse caso, o desenho é só para nos possibilitar ver melhor. Perceber mais do que olhar. Podemos perceber a beleza, mas o tempo que essa beleza permanece na nossa memória depende da concentração que dedicamos à absorção de cada detalhe, dizia Ruskin .
Ruskin desenhou Veneza. Eu também.
Estávamos em Veneza em Junho, quando  amanhece muito cedo. A cidade estava tranquila, o céu de um azul ainda pálido e o sol começava a aparecer.
Eu estava tão ansiosa para curtir a cidade que  abri a janela do banheiro, uma janela enorme do casarão que era nosso hotel. Estávamos no terceiro andar, com vista para os telhados antiquíssimos e tendo ao fundo a cúpula da catedral. Fiquei ali  um tempo sentindo a força daquele lugar. São 118 ilhas, 150 canais, 400 pontes, 450 palácios e mantendo essa mesma aparência desde antes da América ser descoberta. Impossível não se encantar ao andar pelas ruelas medievais, quando se olha para o campanário de uma igreja secular, ou quando desliza-se numa gôndola pelos canais estreitos com aquela sensação que essa cidade não pode ser real.
Bem, estava eu a pensar nisso tudo enquanto observava o amanhecer e me lembrei do caderno de desenho e do estojo de aquarela. Montei meu pequeno atelier sobre o portal do janelão e segui o conselho de Ruskin . Desenhei e aquarelei Veneza.
 Nos últimos sete anos, desde que li sobre isso, sempre que viajo, levo meu caderninho de desenho e um pequeno estojo de aquarela. Quando tenho oportunidade de estar só, com tempo para me dedicar ao desenho e a aquarela, faço isso.
Desenhei na Nova Zelândia, na Austrália, no Chile, na Argentina e agora na Itália, no Lago Garda e em Veneza. Não são desenhos  para serem mostrados. São apenas para meu deleite.

Aqui um desenho de Veneza de Ruskin feito no século XIX. E pensar que está assim mesmo até hj !! 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Cortina d`Ampezzo - Dolomitas




Chegamos em Cortina sob uma  chuva fina e gelada. As famosas Dolomitas, nosso objetivo na região, estavam cobertas pelas nuvens pesadas.
Nossa tristeza só não foi maior graças a simpatia da Bárbara, a moça vestida de roupa típica do Tyrol que nos recebeu no acolhedor, charmoso e confortável Hotel Ambra no centro da cidade. Uma típica casa tirolesa.(www.hotelambracortina.it).
Estamos na divisa da Itália com a Áustria, aos pés das Dolomitas, cadeia de montanhas que pertence aos Alpes, mas que se diferenciam totalmente devido à sua formação geológica.
No dia seguinte conseguimos caminhar por uma trilha e por uma ciclovia que contorna toda a cidadezinha de um pouco mais de 5.000 habitantes e tivemos a chance de admirar as Dolomitas que são como uma moldura para Cortina. A paisagem é espetacular. Estamos na primavera ainda e os campos estão cheios de pequenas flores coloridas.
Nossa caminhada teve a duração de umas 2 horas, mas já chegamos com chuva no hotel. E assim ficou até sairmos de lá, três dias depois. Dia e noite, sem parar.
Constatada a total indiferença do tempo à nossa torcida para que o sol aparecesse e as Dolomitas nos dessem o privilégio de conhece-las de perto, decidimos enfrentar o desafio.
Tínhamos muita vontade de caminhar por aquelas montanhas e resolvemos que faríamos isso mesmo com chuva. E assim foi.
 Difícil mesmo foi convencer um guia de nos levar ao nosso objetivo com aquele tempo.
Primeiro subimos até o refúgio Nuvolau. Duas horas de subida numa trilha com muita pedra, muita neblina, chuva e um pouco de neve. Não era isso que gostaríamos de fazer, mas a outra opção era fica dentro do hotel, sem previsão de melhora no tempo.
Apesar das condições desfavoráveis  conseguimos fazer toda a trilha e chegar ao refúgio que estava fechado e em manutenção. O pessoal da manutenção foi gentil e nos ofereceu um chá bem quente. Ficamos batendo papo com eles em volta da lareira e depois descemos. O objetivo era o visual lá de cima, mas isso não foi possível.
 Emendamos numa outra trilha que havíamos sonhado em fazer, a trilha das Cinque Torri. Além das torres de pedra que são impressionantes, essa trilha tem uma parte histórica, pois foi cenário de batalhas entre a Itália e a Áustria na Primeira Guerra Mundial e pudemos visitar, num lugar muito escondido entre as pedras, uma casamata perfeitamente conservada.
Durante a caminhada de 2hs e meia, nada fácil entre tantas pedras, tivemos a chance de vislumbrar as torres entre uma abertura e outra do tempo. A neblina criava um aspecto dramático na paisagem. Muito lindo!!
Fiquei feliz por ter aceito o desafio de fazer o que era possível naquele dia em que as coisas não ocorreram como eu desejava, e mesmo assim, ter tido a percepção da beleza e da força daquele lugar.
Saímos de Cortina d`Ampezzo com a certeza de que vamos voltar um dia.
Cortina d`Ampezzo - Dolomitas




Trilha para o abrigo Nuvolau



Trilha para as Cinque Torri


Chegando na base das torres

quarta-feira, 29 de junho de 2011

SENTIERI DEL BAROLO




O Sentieri del Barolo é uma caminho para se fazer a pé pelo meio dos vinhedos da região do Piemonte, centro da enogastronomia italiana, famosa no mundo pela produção do vinho Barolo, assim como do Barbaresco, Dolcetto , Nebbiolo e Barbera.
Essa região é também famosa pelos raros e caros tartufos negros e brancos, muito valorizados na alta culinária mundial.
Estamos hospedados em Alba, simpática cidade de 30 mil habitantes, cheia de vida, com eventos musicais, festivais, muitas praças com cafés ao ar livre, muitas pessoas nas ruas usufruindo do clima agradável nesse mês de junho.
O Piemonte é uma parte da Itália com muitas colinas e vales, tudo absolutamente coberto pelos vinhedos. No alto das colinas se localizam as pequenas vilas que cresceram em torno de um castelo medieval. São vilas de 500 a 700 habitantes mas  com uma boa estrutura de hotéis e restaurantes. E claro, muitas lojas de vendas dos vinhos da região.
Para fazer a trilha, optamos por pegar um taxi até a cidadezinha de La Morra, no alto de uma das colinas. De lá, munidos do mapa de trilhas,  sinalizadas precariamente, mas  necessário para  se evitar a área onde vivem os javalis do Piemonte, demos inicio a nossa experiência de “fazer parte da paisagem. Seguimos em direção à cidadezinha de Barolo, no alto da colina, aos pés do Castelo de Barolo.
Com o dia claro, ensolarado e bastante calor , fomos cruzando por algumas pequenas vilas, andando ora pelas estradinhas de terra e cascalho, ora pelo meio das vinhas. A trilha entre La Morra e Barolo tem cerca de 4 km e um desnível de uns 300 ms . Sempre seguindo os sinais chegamos a vila de Barolo.
Conhecemos a vila, demos uma passada no museu e  descemos a colina seguindo a trilha para Castiglione Falletto. Andamos mais  4 km e meio e  um desnível de 350 ms. A trilha vai sempre pelo meio dos vinhedos carregados de frutas ainda pequenas e passando pelos pequenos povoados. Chegamos  ao nosso destino, famintos e sedentos.
 Nossa intenção era conhecer um produtor de Barolo na vila, mas demos uma parada num bar que nos pareceu irresistível pela simplicidade e pela visual de toda a região. Sentamos num patio sob ombrelones com vista para a paisagem do Piemonte e nos deliciamos com uma sequência de antepastos  típicos , um vinho da região e com a simpatia do Fabrizio e sua mama, donos do Bar La Terrazza.
Depois fomos finalmente conhecer o Fábio, jovem enólogo e proprietário da produtora de vinhos Sobrero (www.sobrerofrancesco.it) , que nos mostrou toda a vinícola, nos ofereceu uma degustação da sua produção e ainda nos levou para conhecer as vinhas.
Com a mochila carregada com duas garrafas de Barolo 98, ficou impossível seguirmos a pé, e o Fábio,  sempre gentil, nos levou  com seu carro de volta ao nosso hotel em Alba.




Bar Terrazza em Castiglione Falletto


Vinícola Sobrero em Castiglione Falletto
Um dia perfeito como tantos que vivenciamos nesse país que adoramos!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

BURANO



Veneza é aquilo tudo que todo mundo sabe, mesmo os que ainda não foram visita-la. É uma cidade única, mágica, romântica, com tanta história , arte, arquitetura...enfim, tem que ser visitada nem que seja uma vez na vida. Se possível, mais de uma vez.
Em estando lá, não se acanhe! Se joga nos programas mais clichês, tipo passear de gôndola pelos canais tirando fotos sem parar com aquela cara de turista embasbacado pelo encanto da cidade, se perder pelas ruelas e curtir a Praça San Marco, com direito a música ao vivo, revoada de pombos  e tudo o que você  já viu nos filmes.
Além dos tradicionais passeios e visitas que tem que ser feitas pelo menos uma vez, tipo Pallazo Ducale, antiga residência oficial dos doges, o Campanário, a Catedral de San Marco, a Ponte de Rialto , Ponte dos Suspiros, a ilha de Murano para comprar os famosos vidros, tem uma outra ilha bem mais interessante  e bem menos visitada: a pequena ilha de Burano.
É um centro de pesca e artesanato de rendas que se iniciou no século XVI e hoje fornece  para as maiores coleções da Europa. Tem até uma escola na ilha onde se ensina a arte de fazer rendas.
Mas o que mais chama a atenção é a diversidade das cores das casas, uma tradição que nasceu devido a frequência com que ocorrem as densas neblinas que cobrem as ilhas lagunares e a dificuldade dos pescadores de localizarem suas casas quando chegavam com os barcos e entravam pelos canais cobertos pela neblina.
Assim como Veneza, não existem carros na ilha e todo o transporte é feito por barcos pelos canais que cortam toda a ilha.  A ilha em si é bem pequena e esse é um programa de meio dia saindo de Veneza.
Para chegar lá, pegue um barco que sai a cada 30 minutos do Fondamenta Nove (píer) em Veneza, o mesmo que vai para Murano, e depois de mais uma ou duas paradas chega a Burano, numa travessia que leva cerca de 40 minutos.
Depois de passear pelas ruas coloridas, lojinhas charmosas de artesanatos e rendas, sentar em um dos cafés às margens dos canais, não deixe de almoçar em um dos ótimos restaurantes da ilha. Dizem que lá se come os melhores pescados da região. Eu sugiro um bem localizado, pitoresco e a comida deliciosa: Riva Rosa – site: www.rivarosa.it
Para retornar a Veneza, é só pegar um barco que sai a cada meia hora .
Passear de gôndola pelos canais de Veneza! Faz parte!!
Rialto - Veneza
BURANO
Um dos canais de Burano.
Um dos muitos restaurantes de Burano
Restaurante e vinoteca Riva Rosa em Burano
BURANO
Tudo muito colorido em Burano.
Uma das ruas coloridas de Burano.
Uma delícia de programa!